A Caixa Econômica Federal cortou pela segunda vez neste mês de outubro o juro do crédito imobiliário.

Agora, a taxa mínima do financiamento atrelado à Taxa Referencial (0%) será de 6,75% ao ano. Até então, os juros eram de 7,5% ao ano para contratos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). A instituição é responsável pela maior parte dos financiamentos de imóveis no Brasil.

 

A taxa mínima para imóveis financiados no Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) será de TR + 6,75% ao ano. Já a taxa máxima será de TR + 8,5%. Houve redução de 0,75 ponto e 1 ponto, respectivamente. As taxas valem para novos contratos a partir de 6 de novembro.

De acordo com o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, houve crescimento na demanda de crédito imobiliário. Em coletiva, ele disse ainda que essas condições de financiamento chegam a ser melhores que as do Minha Casa Minha Vida, faixa três (para famílias com renda mensal de até R$ 7 mil).

Nas últimas semanas, a Caixa já havia anunciado redução não só nas próprias taxas de financiamento imobiliário, mas também em outras linhas, como cheque especial e crédito pessoal não consignadoMatéria publicada pelo Valor no começo de outubro mostrava que o movimento não havia sido acompanhado pelos demais grandes bancos de varejo.

Em relação a agosto, os juros médios das operações contratadas pela Caixa no cheque especial, por exemplo, passaram de 289% para 194% ao ano nos empréstimos a pessoas físicas, e de 353% para 217% nos empréstimos a pessoas jurídicas.

Quanto de economia?

Um levantamento do comparador de crédito Melhortaxa aponta que a economia que este 0,75 ponto percentual pode trazer num financiamento a longo prazo. Pode parecer pouco, mas nesse tipo de empréstimo qualquer redução pode ter impacto significativo no valor total.

Por exemplo, num financiamento de R$ 400 mil em 30 anos, quem pega a nova taxa de 6,75% ao ano deixa de pegar R$ 42 mil em comparação aos que fecharam contrato com taxa de 7,5% ao ano.

“Mais uma queda nas taxas de crédito imobiliário da Caixa, agora retomando a liderança, é um ótimo sinal para os consumidores. Estamos vendo um movimento mais intenso de reduções nos últimos meses e a iniciativa da Caixa certamente irá ampliar ainda mais a pressão sobre os outros bancos, principalmente os privados, que ainda têm espaço para novas quedas”, afirma Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa.

Ele lembra que os interessados em financiar um imóvel devem comparar não só as taxas dos bancos, mas também as taxas com o Custo Efetivo Total (CET), que podem gerar diferenças nas ofertas das instituições. Segundo Sasso, a nova queda da Selic poderá trazer ainda mais cortes.

Antecipação do FGTS

Além disso, na semana passada, a instituição financeira também anunciou a antecipação para este ano do cronograma de pagamentos dos saques imediatos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS). A medida, que dá direito ao trabalhador de retirar até R$ 500 por cada conta, pode injetar R$ 40 bilhões na economia ainda em 2019, na estimativa do banco. O cronograma anterior estabelecia a liberação de recursos até março do ano que vem.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, tem negado qualquer influência do ministro da Economia, Paulo Guedes, nas decisões. De acordo com ele, as medidas têm sido “matemáticas” e realizadas em função da situação financeira confortável da Caixa

Veja a tabela abaixo com as taxas mínimas praticadas agora pelas principais instituições (tabela atualizada no dia 31/10 às 11h40).

Taxa mínima de juros de financiamento imobiliário

Banco Taxa de juros
Caixa Econômica 6,75% ao ano + TR
Bradesco 7,30% ao ano + TR
Banco do Brasil 7,40% ao ano + TR
Itaú 7,45% ao ano + TR
Sicoob 7,50% ao ano + TR
Banco Inter 7,70% ao ano + TR
Santander 7,99% ao ano + TR